Dos cereais à farinha

Dos cereais à farinha

Resultado da moenda dos cereais, a farinha é um alimento rico em nutrientes, daí que os cereais e seus produtos devam fazer parte da base de uma boa alimentação.

Considerados por muitos, uma das mais importantes plantas cultivadas pelo homem, a sua energia é uma energia limpa, dado que a utilização pelo organismo, quase não origina produtos tóxicos.

Dos cereais resultam um sem número de alimentos, indispensáveis à dieta humana, sendo vários os cereais que podem ser utilizados na produção de farinha: trigo, centeio, milho, milho miúdo, cevada e aveia.

Trigo

Originário do Sudoeste Asiático, é considerado o mais exigente dos cereais, dado que necessita de solos ricos e férteis, combinados com Invernos frios e Verões quentes e secos.

Apenas com a combinação destes factores, é possível pensar numa produção proveitosa deste precioso cereal. A sua moenda resulta numa farinha propícia para o fabrico de pão, de crosta dourada e miolo branco e leve. Por isso, em tempos idos, estava reservado às classes abastadas e à Igreja.

Centeio

Inicialmente considerada uma erva daninha, que crescia em redor dos campos de cereais, apenas se tornou uma espécie comestível, através de um processo de hibridação.

Considerado um cereal mais rústico que o trigo, o centeio resulta numa farinha mais escura, cuja massa não leveda tão bem.

No entanto, o seu cultivo é menos exigente, dado que se adapta a solos secos, resiste ao gelo do Inverno e suporta as altas temperaturas de Verão.

A palha ou colmo do centeio é muito procurada graças à sua resistência e comprimento, sendo aproveitada para inúmeras utilizações: coberturas de casas, enchimento de colchões, fabrico de cestos e esteiras, etc.

Milho

Planta tropical, originária da América, o milho é um cereal de Verão (dá-se bem em zonas de clima temperado com Verões quentes mas húmidos, e é muito rentável, quando comparado a outros cereais).

O milho branco resulta numa farinha que serve para amassar a broa, pão característico da região do Minho. Um tipo de farinha que origina um pão pesado e compacto, mas que quando misturada com farinha de centeio ou trigo, produz um pão mais leve e digestivo.

Milho miúdo

O milho miúdo, também conhecido por milho alvo, é branco e é um cereal de Verão, cultivado principalmente no Noroeste do país, onde o clima húmido é mais favorável que no Sul.

Hoje em dia, a farinha resultante da moagem do milho miúdo, é muito utilizada em confecções de pratos festivos e tradicionais: filhoses, papas dos fieis, pão coado de Natal.

Cevada

Existem duas variedades de cevada: uma de Inverno e outra de Primavera, que se adaptam a diferentes tipos de solos e clima, sendo por isso cultivada em todo o país.

Utilizada na preparação de pão, servia também para o fabrico de cerveja de cevada, uma bebida muito apreciada durante os primeiros tempos da Monarquia Portuguesa.

A introdução do milho veio reduzir a cultura da cevada e o seu consumo sob a forma de pão desapareceu por completo. Apesar disso, por ser pobre em glúten e rica em amido, a farinha de cevada transforma-se facilmente em malte, matéria-prima essencial ao fabrico de cerveja.

Aveia

Tal como o centeio, a aveia começou por ser considerada uma erva daninha, a qual, mais tarde, por hibridação, deu lugar a uma nova variedade de cereal.

Semeada durante a Primavera, por não resistir às geadas, a aveia foi sempre considerada um cereal pobre, sendo muito raro o fabrico de pão com aveia. Esta era apenas utilizada em alturas de grande escassez dos restantes cereais. Isto porque o pão de aveia fica insípido e seca rapidamente. Por isso depressa se tornou um alimento para animais, nomeadamente cavalos.

Fonte: “Terra mãe, terra pão” de Mouette Barboff